O mercado de lingerie não se limita mais a sutiãs e calcinhas. Desde algumas temporadas, uma categoria de produtos vem ganhando espaço: os acessórios projetados para serem usados com, sobre ou ao redor das peças de lingerie. Correntes de corpo, joias de alças, cintos de cintura, ligas ornamentais – esses elementos modificam a forma como a lingerie é exibida ou insinuada sob as roupas. O fenômeno se insere em um contexto mais amplo onde a fronteira entre roupa íntima e peça de moda visível se torna difusa.
Joias de lingerie e correntes de corpo: o que a tendência maximalista muda
As tendências de joias 2024-2025 confirmam uma mudança em direção a peças maximalistas usadas em contato com a lingerie: grandes elos, colares de múltiplas camadas, pulseiras esculturais, misturas de metais. Esses acessórios não se contentam em acompanhar um decote. Eles literalmente emolduram o sutiã, o top ou o body.
As correntes de corpo, por exemplo, são usadas sobre um sutiã de renda ou um balconete. A acumulação de correntes na cintura transforma uma camisola básica em uma peça de festa. As pérolas barrocas modernizadas, pensadas para sobreposição, se integram ao nível das alças ou das costas nuas.
O ponto técnico a ser lembrado: essas joias funcionam por contraste de materiais. Uma corrente em metal dourado sobre renda preta produz um efeito visual que nem a joia nem a lingerie produzem sozinhas. Misturar ouro, prata e rosé em um mesmo look se torna um código estilístico assumido, longe da antiga regra do metal único.
Para explorar essa abordagem, os acessórios oferecidos pela Lingerie Dément ilustram bem a variedade de peças disponíveis, desde correntes de corpo até ornamentos de alças.

Acessórios de lingerie e morfologia: adaptar a escolha à sua silhueta
Um acessório de lingerie mal escolhido pode produzir o efeito oposto ao desejado. A questão da morfologia, frequentemente abordada para a escolha de um sutiã ou uma calcinha, também se aplica aos acessórios que os acompanham.
Alças ornamentadas e colares de corpo conforme o busto
Em um busto pequeno, uma corrente de corpo fina com elos de cobra alonga a silhueta sem achatá-la. Em um busto generoso, um colar curto de múltiplas camadas usado rente ao decote atrai o olhar para cima e estrutura visualmente a área do pescoço.
A escolha da espessura da corrente depende do volume a ser emoldurado. Um elo grosso em uma estrutura estreita desequilibra as proporções. As alças de joias (ornamentadas com strass ou pérolas) substituem com vantagem as alças clássicas em uma regata ou um top de alças finas, mas seu peso deve permanecer compatível com o suporte do sutiã.
Cintos de cintura e ligas decorativas
Os cintos de cintura usados sobre uma camisola ou um body marcam a silhueta criando um ponto de referência visual. Em uma morfologia em H (ombros, cintura e quadris alinhados), esse acessório cria artificialmente uma curva. Em uma silhueta em X, ele acentua um atributo já presente.
As ligas com finalidade decorativa (sem função de suporte de meias) seguem uma lógica similar: elas adicionam uma linha horizontal nos quadris. Usadas sob uma saia transparente ou uma calça de cintura baixa, tornam-se um elemento de estilo visível.
Renda, satin, metal: como os materiais dos acessórios interagem com a lingerie
O sucesso ou fracasso de um acessório de lingerie muitas vezes depende da compatibilidade dos materiais. Alguns pontos concretos:
- A renda sobre renda funciona se os padrões forem diferentes (renda floral do sutiã associada a uma faixa de renda geométrica, por exemplo). Duas rendas idênticas produzem um efeito de toalha.
- O metal (correntes, anéis, fechos) contrasta melhor com materiais macios como satin, microfibra ou tule. Sobre algodão grosso, o acessório metálico parece colado em vez de integrado.
- O veludo, usado para alguns chokers ou faixas de cintura, combina bem com satin, mas cria uma sobrecarga texturizada com renda pesada.
- Os strass e cristais ganham em legibilidade sobre fundos lisos e escuros. Sobre uma estampa carregada, eles se perdem.
A regra operacional: não ultrapassar duas texturas contrastantes por look. Além disso, o conjunto perde em coerência visual.

Regulamentação têxtil e acessórios de lingerie: o que muda a partir de 2026
O quadro regulatório europeu muda a situação para as marcas que produzem acessórios de lingerie. Desde o 19 de julho de 2026, as grandes empresas da UE não têm mais o direito de destruir roupas, acessórios de vestuário e calçados não vendidos. Essa proibição decorre do artigo 25 do regulamento sobre a ecodesign de produtos sustentáveis (ESPR, regulamento (UE) 2024/1781).
Os acessórios como cintos, lenços ou luvas estão explicitamente incluídos, assim como a própria lingerie. As empresas devem priorizar doações, revendas, reciclagem ou preparação para reutilização. Elas são obrigadas a documentar publicamente os volumes destruídos e os motivos dessas destruições.
Para as consumidoras, essa regulamentação significa mais peças em liquidação ou em segunda mão. Os acessórios de lingerie, frequentemente produzidos em pequenas séries com materiais específicos (correntes banhadas, strass, elásticos decorativos), eram até então frequentemente destruídos quando não encontravam compradores no final da temporada. Esse circuito está se fechando gradualmente.
Os retornos de campo divergem nesse ponto: algumas marcas veem isso como uma pesada restrição logística, outras como uma oportunidade de oferecer coleções cápsulas acessíveis a preços reduzidos. O impacto sobre a diversidade dos acessórios disponíveis ainda precisa ser observado nas próximas temporadas.
Escolher um acessório de lingerie envolve tanto estilo quanto técnica. O material, a proporção em relação à silhueta, a compatibilidade com as peças usadas por baixo e por cima – cada parâmetro conta. As opções se multiplicam, impulsionadas por tendências maximalistas e um quadro regulatório que força as marcas a repensar seus estoques. Resta experimentar, ajustar e manter um princípio simples: um acessório bem-sucedido é aquele que se esquece de usar.



